Sobre a primeira sessão da Assembleia de freguesia da U. Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde

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Numa ação de campanha em Aldoar
A União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde é, como a maioria dos portuenses sabe, uma das freguesias em que as desigualdades sociais são mais gritantes. Aqui, condomínios de luxo partilham paredes com bairros sociais degradados em que há cada vez mais despejos e cortes de água e de luz. Há uma animosidade (eufemismo) entre classes que está à vista de todos. Há fronteiras nesta freguesia: há ruas em que determinada classe não entra e ruas em que a outra classe não entra também. Barreiras quase físicas que, se forem ultrapassadas, geram esgares de desconforto e desconfiança (eufemismo novamente).
No final desta primeira Assembleia de Freguesia, a sensação com que fiquei foi de que o actual executivo pouco ou nada fará para resolver esta situação. Com uma maioria eleita da lista “apartidária” de Rui Moreira, foi clara a classe que saiu vencedora. Dou apenas um exemplo: após 1 hora de discussão sobre um orçamento para um trimestre que acabaria no dia seguinte (31 de Dezembro), foi muito humildemente sugerido pelo público que este orçamento, bem como os próximos, poderiam ser disponibilizados ao público antes das assembleias, para que também este o pudesse contestar e comentar ou para, pelo menos, que este não tivesse de assistir a uma interminável discussão sem saber sequer de que se tratava concretamente. Em resposta confidente, no final da Assembleia, um dos membros do executivo disse-me apenas: “Sabe querida, há coisas que não podem ser disponibilizadas. É muito bonito o que disse, mas depois aparece aqui o povo todo a mandar bitaites.”.
É, pelos vistos, a democracia participativa incomoda este executivo. Foi apresentada uma proposta que eu considerei interessante por parte do deputado da CDU que se referia à introdução da participação do público também antes e não só depois da ordem de trabalhos (coisa que aliás já acontece em muitas outras freguesias). Proposta esta que não chegou a ser votada. Nós também lá estivemos, sob a forma de várias pessoas da nossa lista que assistiam no público, entre as quais Esmeralda Mateus, que aproveitou o espaço dado ao público à 1h da manhã para perguntar ao Sr. Presidente da Junta qual a sua posição em relação aos cortes de água. Pergunta essa que não obteve resposta. Posto isto, não tenho muito para acrescentar acerca da Assembleia, fora o facto de a maior parte do tempo ter sido passada a discutir burocracias e de não ter havido uma única palavra concertante à crise social.
Concluindo, penso que se estivermos a contar com o executivo eleito para fazer alguma coisa pela freguesia, não vamos muito longe. Não temos nenhum representante na assembleia, mas penso que já vimos na campanha que fizemos este Verão que nós, com a ajuda de todos e todas e com a envolvência de todos e todas conseguimos realmente operar mudanças. E a minha proposta é esta: acabar com as fronteiras. Trabalhar para aproximar a população. Como? Com ciclos de cinema, guias da freguesia, passeios de bicicleta organizados, encontros de vizinhos, enfim, qualquer sugestão que vise uma união e convivência entre todas as pessoas. Virar o Porto ao contrário pelas nossas próprias mãos. Dará trabalho? Dará. Valerá a pena? Claro que sim.

Por Francisca Bartilotti Matos