Transportes públicos: 7 propostas

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SETE PROPOSTAS PARA PARAR A DESTRUIÇÃO
E PROMOVER OS TRANSPORTES PÚBLICOS NO PORTO

Só no primeiro semestre de 2013, a STCP perdeu 9 milhões de passageiros. Esta quebra reproduz uma tendência que já vem do ano passado. Na verdade, milhares de pessoas deixaram de poder recorrer aos transportes públicos em função do seu encarecimento. Ao mesmo tempo que os transportes ficaram mais caros para os utentes, os desvarios da contratação de produtos financeiros derivados resultaram em perdas acumuladas de quase mil milhões de euros em 2012, muito mais do que seria preciso para a extensão do metro, por exemplo.

Em dez anos, o Porto perdeu cerca de 10 km de corredor BUS e hoje a STCP tem menos 200 paragens do que tinha em 2010. Entre janeiro de julho foram 37 km de linha que deixaram de existir. Há zonas da cidade que deixaram de estar bem servidas de transporte. É preciso parar a destruição dos transportes públicos que tem vindo a ser promovida pelo PSD e pelo CDS-PP na cidade. A candidatura “E se virássemos o Porto ao contrário” apresenta 7 propostas concretas.

1. Retomar o passe social

A quebra na utilização de transportes públicos deve-se à decisão do PSD e do CDS-PP de, em plena crise, tirar o passe social a milhares de pessoas, nomeadamente estudantes e reformados. O resultado está à vista: as pessoas perdem o direito à mobilidade, as empresas de transporte perdem milhares de passageiros e perdem receita. Não existe qualquer estratégia séria que possa promover a utilização de transportes públicos sem, em primeiro lugar, reduzir os preços para os valores de janeiro de 2011 e recuperar os passageiros perdidos pela decisãi da coligação de direito sobre o passe.

2. Gestão da STCP pública e com participação maioritária dos municípios

A STCP não deve ser gerida a partir de Lisboa. A STCP deve permanecer uma entidade pública com financiamento do Estado central, mas a sua gestão deve garantir que a maior parte da participação social esteja nas mãos das autarquias servidas pela empresa e da Junta Metropolitana. Essa gestão pública deve parar a concessão de linhas a privados e a submissão do interesse público às investidas dos operadores privados.

3. Aumentar os corredores BUS e poupar 3 milhões por ano.

Em dez anos, a coligação PSD/CDS-PP reduziu em 10 km os corredores BUS na cidade. Retomar estes corredores BUS permitiria aumentar a velocidade comercial média dos autocarros em 1km/hora e, assim, poupar 3 milhões de euros por ano só em combustíveis.

4. Valorizar o elétrico

As três linhas do elétrico e o elevador dos Guindais, que são hoje um elemento atrativo para os turistas, devem servir também a população, o que implica ter preços acessíveis. A extensão das linhas de elétrico previstas no PDM (4 linhas) deve ser efetuada: é um meio de transporte ecológico, bonito faz parte da história da cidade. O Museu do Carro Elétrico deve ser reaberto, como lugar central de conservação e atualização da memória sobre os transportes públicos na cidade e valorizado enquanto equipamento público (com múltiplas salas que podem servir valências diferentes).

5. Alargar horários de autocarros e do metro ao fim de semana.

Nas noites de sexta-feira e de sábado, devem ser alargados os horários das redes noturnas. Esse alargamento responde a uma necessidade de quem se desloca ao centro para convívio noturno e atividade cultural e responde à necessidade dos trabalhadores desses equipamentos, muitos dos quais moram fora do centro em virtude da ausência de habitação. A utilização do transporte público neste contexto pode ter um efeito importante na redução de comportamentos de risco associados à condução.

6. Uma nova abordagem sobre o estacionamento

Devem ser revistos os contratos de concessão dos parques de estacionamento, para reduzir o preço cobrado aos utilizadores e desenvolver parcerias com o comércio local e com os equipamentos culturais, permitindo que talões de compras e bilhetes de espetáculo possam reduzir para metade ou isentar de custos a utilização dos parques. Por outro lado, as receitas camarárias oriundas do estacionamento devem ser afetadas diretamente à promoção do transporte público e a um programa de remoção de barreiras arquitectónicas para garantir uma mobilidade inclusiva para todos.

7. Uma cidade de todos. Nenhum território sem mobilidade.

A partir de um inquérito à mobilidade na cidade, devem ser retomados os percursos e linhas necessários para garantir que todas as zonas e bairros da cidade estão bem servidos de transportes, nomeadamente à noite. Meios de transportes como as bicicletas devem ser promovidos ativamente, sempre que possível no mesmo espaço de circulação dos automóveis.

20 de Agosto