Testemunhos

Francisca Bartilotti Matos

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Francisca
Sou a Francisca, tenho 20 anos, sou estudante e sou portuense. Como quase todos os portuenses, sou apaixonada pela minha cidade. Falo do rio Douro, das gaivotas que o sobrevoam, da roupa a secar nas casas que o olham, do farol que luta contra as ondas do mar, das ruas estreitas da Foz Velha, da torre dos Clérigos que tudo olha e de muitas outras coisas, como quem sabe que, no mundo, não há nada assim e há poucas coisas tão bonitas.
Mas o Porto não é só aquilo que vejo, mas também é aquilo que vivo e que todas as pessoas que cá vivem, vivem. E sei que o Porto, apesar de magnífico para quem o vê, não é perfeito para quem o vive.
Então, quando me perguntam “porquê apoiar esta candidatura”, eu respondo: porque não? Uma candidatura construída em mesas quase redondas abertas a toda a gente, partidários e não partidários, em que todos foram ouvidos e puderam dar sugestões (mesmo uma estudante de 20 anos); uma candidatura que procura os problemas de cada um e soluções simples e realizáveis e para quem a opinião de todos é igualmente importante; e, sobretudo, uma candidatura que foge às politiquices a que estamos habituados e em quem já poucos acreditam, que tem pessoas sérias e empenhadas e que acolhe de braços abertos quem, como eu por exemplo, queira ajudar a tornar a minha cidade uma cidade melhor.
Falando agora de forma mais egoísta, como poderia deixar de apoiar uma candidatura que se preocupa com todas as faixas etárias, incluindo a minha, que é tantas vezes negligenciada? Que tenta alargar os horários das bibliotecas públicas, melhorar a rede de transportes, aumentar a oferta cultural, criar espaços verdes, ciclovias e muito mais coisas.
Assim, quando me perguntam porque apoio esta candidatura respondo: “como não?”. Podem dizer que tudo são propostas utópicas e que nos dias que correm as quase impraticáveis, mas se não fazemos nada pela nossa cidade, se não “pomos as mãos na massa” pelo nosso Porto, então por que é que o iremos fazer?

Isaque Palmas

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Isaque Palmas

Sempre fui habituado a lutar pelos meus ideais, a não desistir. Na minha família fomenta-se o valor do colectivo, da honestidade, da transparência. Quando fui convidado a pertencer a esta lista aceitei porque identifico os meus ideais e estes princípios nas suas pessoas e nas suas propostas. Quero contribuir para melhorar a nossa cidade. Há urgência e muito a fazer no domínio dos transportes e da mobilidade. Sei do que falo porque trabalho na STCP. O aumento dos passes, o corte dos passes dos reformados, estudantes e funcionários, o corte nas linhas, de corredores Bus e na frequência dos autocarros afectam o dia-a-dia dos cidadãos. E a permitida “invasão” de empresas privadas – com objectivo do lucro e não do serviço público – não traz nada de bom; tem apenas como fim o desmantelamento da STCP, do serviço público, e a sua privatização. Um mero negócio. Contra esta e muitas outras situações podem contar com a minha combatividade. Quero um Porto melhor, com mais qualidade de vida. Todos nesta candidatura o queremos. Vamos virar o Porto ao contrário.

Isaque Palmas

JAS

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JAS

Fico fascinado pela novidade de um reflexo que se possa virar do avesso, assim como se uma cidade se transforme num fundo redondo de formas e que a impressão de um simples papel engelhado e mal colado, amassado e depois pintado por cima, possa tomar o aspecto duma montanha rochosa cheia de casas. Esta descrição funciona como inspiração para o desenho que desenvolvi para acompanhar a campanha, “E se virássemos o Porto ao contrário?”
A minha boca não se abre… Mas o meu desenho não se cala!
Como dizia Picasso: “A Pintura não foi feita para decorar paredes. A Pintura é uma arma de defesa contra o inimigo.”
Esta é a minha voz.

JAS
Artista Plástico, 32 anos do Porto

Joana Macedo

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Joana Bárbara
Porque Não?||desabafo mais que testemunho

Tive conhecimento da primeira assembleia por meio de uma amiga, a quem me queixava frequentemente que estava cansada de não fazer nada por mais que quisesse. decidi lá ir, sem saber do que se tratava, ainda por cima cheguei tarde. Mas estava um ambiente muito agradável nos Maus Hábitos (local da 1ª assembleia). Não conhecia ninguém, mas as caras eram muito simpáticas, o que me fez ficar. Estavam sentados em grupos, logo percebi que cada um estava a debater um tema diferente, até que, apurei os ouvidos e em um dos grupos, uma mulher, cuja imagem não passa indiferente gritava bem alto “está na altura de ir para a rua dar voz ao povo”, falavam de cultura e isso cativou-me. A partir daí foi como uma bola de neve, sempre que podia, fazia parte desta troca de ideias para pô-las em prática (e sim, muitas delas passaram à acção!!)
Não ligava muito a política e era uma coisa em que não acreditava, mas no meio de conversas e convívios, fui conhecendo problemas que por vezes me passavam ao lado. Percebi então que, política, essa palavra tão ligada ao mal, não tem que estar associada ao estado do país, é sim, algo que faz parte do nosso dia a dia e do nosso dever enquanto cidadão, porque há ideais e princípios nossos, enquanto indíviduos que vivem em sociedade, que temos que cumprir, e por outro lado, exigir o que é nosso por direito (como água, casa, luz, educação, cultura…). Isto é política! (pelo menos para mim!). Eu que pensava que não ligava à política, que vivia “à margem”, fiquei surpreendida quando conheci estas pessoas, dito deputadas e políticas, mas que acima de tudo, são pessoas como eu. Perceber que conseguem dar voz política aos meus pensamentos e ideais de cidade, então pensei, não sou a única que anda a ver o “mundo”, a fazer o pino. E ver nas acções que fazem, querem pôr-se de pé, e trazem um bocadinho da terra que estava no chão, é um orgulho para mim.
A minha maior tristeza no meio de isto tudo, é eu não poder em alguém/algo que tanto acredito. Pois é, a verdade é que sou de Vila Nova de Gaia, esta cidade dormitório, com praias tão belas, mas a verdade é que não tem vida social, esta cidade dorme de olhos abertos. e eu apaixonada pelo Porto, cidade que vivo, mas não habito, não tem casas para mim, são demasiado caras, sim podia ir para os arredores, mas aí já eu estou. o meu sonho era mesmo habitar no coração do Porto, e eu que vejo tanta casa a cair de podre não posso morar nela, mal de mim não tenho crédito para abrir hostel.
Como “vivo” no Porto, muitos dos passeios feitos em família são feitos pelas ruas destas cidades. a minha filha adora. adora ver gente diferente, a falar línguas diferentes, e mais uma coisa que ela adora nestas ruas, são os desenhos nas paredes, não tinha dado conta, até que um dia, passeavamos pelas ruas de cedofeita e ela perguntou-me pelos desenhos que tinha visto noutro passeio, que já não estavam lá. lembro-me que eram do Hazul. fiquei orgulhosa pela memória e sensibilidade dela, mas a verdade é que logo a seguir fiquei revoltada. mas porque raio é que pintaram de cinzento 3 desenhos cheios de côr numa parede de tijolos?! andando estes dias pela cidade, parecia que tinha o coração na mão de cada vez que passava numa parede que tinha perdido vida, a cidade morria aos poucos. só me apetecia berrar, lá lhe expliquei com calma, que o senhor que estava a mandar pintar de bege e cinzento (tons mortos sobre tons mortos), vive num mundo diferente do nosso, (não vive com gente que sente certamente), vive num mundo de ilusões e aparências.
não foi só com esta atitude que se percebeu isso, houve muitas mais, a derrubada das torres do Aleixo, o fecho da es.co.la, o corte de água a famílias carenciadas (…)
o que me custa mesmo, chega mesmo a doer, é saber que o principal sucessor deste Rio é o que vem da outra margem, vem do mesmo mundo, de fachadas, de comprar para calar gente, e comprar gente, porque o que vejo que ele fez em Gaia, foi exactamente o mesmo, a avenida e as praias são uma beleza, já o resto…
antes de acabar os meus desabafos, só para acabar o passeio de domingo, a meio da tarde, lá a minha filha fica cansada de andar e de ver gente estranha, diz-me “mãe quero andar de baloiços e brincar com os meninos da minha idade” (engulo em seco, pois não há jardins, muito menos parques infantis nesta cidade) ao que lhe respondo: -vamos até à ribeira ver os meninos a saltar da ponte, felizes da vida.

Joana Macedo

João Veloso

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João Veloso

Esta é a segunda vez na minha vida em que vou voluntariamente bater à porta de uma campanha política para oferecer o meu apoio. A primeira foi nas presidenciais de 1985, ainda eu não tinha direito de voto, quando me ofereci para a campanha da Maria de Lourdes Pintasilgo. De ambas as vezes, vesti-me do entusiasmo e bebi da esperança de que é possível mudar o mundo, sempre acreditando que essa mudança tem de partir de nós e da nossa luta, pondo de lado os comodismos e os messianismos de quem está à espera de um mundo melhor que lhe caia no colo, assim vindo do nada.

Em momentos diferentes da minha vida, em fases diferentes do meu crescimento e da minha formação, em circunstâncias factuais muito diferentes e também em graus muito diferentes, foi com pessoas como o José Soeiro e a Ana Luísa Amaral – agora candidatos – e com apoiantes seus como a Regina Guimarães, o Saguenail, a Rosa Maria Martelo, a Ana Maria Brito, o Gonçalo Vilas Boas, o João Teixeira Lopes e tantos outros que encontro nesta lista e nos seus subscritores que aprendi a estar do lado certo das barricadas, a virar a vida ao contrário se for preciso, porque o contrário dos nossos dias é quase sempre, vendo bem, o direito do avesso cuja falta nos sufoca.

Muito do que aprendi como lutador foi ao lado destas pessoas (e de outras) e ver os seus nomes aqui alegra-me, dá-me força e dá-me esperança num futuro melhor – num futuro, em suma. Tem sido ao lado deles que, em momentos diferentes, tenho tido o consolo de me sentir parte daqueles que acreditam que este mundo que nos querem impor como o único mundo possível tem de ser rapidamente substituído por outro, que existe, que é também possível e que está ao alcance da nossa coragem. Vêm-me à memória frases batidas – “Fazer recuar as fronteiras do possível”, “Em novembro, é de abril e maio que me lembro” – e momentos em que senti fisicamente estas verdades, em celebrações da palavra livre promovidas pela Regina e pelo Serge num Porto alternativo e altivo que não queremos que morra de vez.

João Veloso

José Castro

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castro
Durante 12 anos, a coligação PSD-CDS forçou os jovens a sair da cidade, hostilizou os agentes culturais, empurrou empresas para fora do Porto, agravou as desigualdades sociais, enfraqueceu a democracia. Chegou a hora de construir uma resposta de esquerda para resgatar a cidade.

José Castro

José Gigante

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José Gigante

O BE demonstra com esta abertura a sua confiança nos movimentos cívicos e nas vontades individuais e, numa óptica de esquerda, revela uma atitude corajosa que, lamentavelmente, não é habitual nas estruturas partidárias. Foi esse risco, explicitamente assumido pelo cabeça de lista à CMP, José Soeiro, que me fez aderir à iniciativa, não sendo eu militante do BE nem sequer seu votante fiel! A partir daqui, não posso deixar de acreditar que, neste processo, “quem mais ordena” é a Assembleia aberta que o gerou e o terá de conduzir até ao fim…

José Gigante

José Paiva

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José Paiva

Para tentar compreender o incompreensível. Saber porque é que nós levamos com esta violência toda na cabeça e na vida e temos dificuldades em encontrar forças e modelos de representação que impeçam a maioria dos sofredores com tudo isto em cima.

José Paiva

Luís Fernandes

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Luís Fernandes

Para virar o Porto ao contrário o que é preciso é ter cabeça. Estou com a candidatura do José Soeiro porque é um candidato com cabeça, que é o que tem faltado à gestão autárquica do Porto nos últimos anos. Todos sabemos como a cabeça é importante, sem cabeça não se faz nada, com cabeça pode fazer-se tudo. Uma cabeça para o Porto, portanto – para que o Porto tenha pés e cabeça. É assim que eu quero ajudar a virar o Porto ao contrário: ajudando a reunir o pessoal com cabeça. Muita cabeça junta pode ser uma carneirada, mas quando essas cabeças ousam pensar e debater acaba-se a carneirada e fica uma praça de gente madura. Se de cada cabeça sair uma ideia, se de cada ideia sair uma atitude que contrarie o pequenismo de que tem sofrido o governo da cidade, o Porto pode ser um cabeça-de-série fora de série. E a candidatura do José Soeiro afirma-se por esta vontade de não querer pensar sozinho e nos pedir a todos que venhamos – por mim, vou de cabeça.

Luís Fernandes

Luís Peres

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Luís Peres

Porque é tempo de “libertar” o Porto da tutela de gente enfeudada a interesses próprios e a interesses da classe dominante.

Luís Peres