Bárbara Veiga

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Barbara Veiga“Que força é essa que trazes nos braços
que só te serve para obedecer, que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros e de mal contigo
Que força é essa, amigo” (“Que força é essa”, Sérgio Godinho).

Foram estas as palavras proferidas em jeito de música por um conjunto de vozes em uníssono, umas tímidas, outras mais afiadas, embaladas pela voz suave, agradável mas forte e carregada de sentido de Ana Ribeiro e que encerraram a primeira parte da sessão de leitura e música que apresentou o livro “E se virássemos o Porto ao contrário?” no Pinguim.
Essa sessão que “não é campanha mas acompanha” deixou-me este sentimento agridoce. Por um lado as vozes agradavam-nos o ouvido e arrepiavam-nos pela sua doçura em jeito de música ou em jeito teatral, acolhendo-nos e embalando-nos. Por outro, as palavras que proferiam e a forma como eram ditas impeliam-nos a pensar pelas nossas cabeças (e muitas cabeças juntas pensam melhor do que uma!), a agir e despertavam a indignação que trazemos dentro de cada um e que, muitas vezes, não nos trespassa porque a engolimos para o lugar mais fundo de nós para não termos que lidar com ela, já que não sabemos o que lhe fazer.
Nesse turbilhão de emoções, resgatei aquela profunda esperança na possibilidade de uma mudança, aquela que trago num bolso furado e que, por qualquer obra do acaso, insiste ainda em, firmemente, se segurar no mesmo sítio, resistindo ao caminhar solitário e porventura descrente que tenho percorrido nos últimos tempos por entre “pedras sujas e gastas”… e com o bolso furado!
Não é que aquele conjunto de cabeças e braços, todos diferentes mas todos juntos por um objetivo comum, serão mesmo capazes de virar o Porto ao contrário?

Bárbara Veiga
Cabeça de Lista à Junta de Freguesia de Ramalde