Boletim Municipal Eletrónico

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Foi publicado a 4 de Fevereiro no Boletim Municipal Eletrónico um novo boletim, o qual tem como conteúdo a Ata da Assembleia Municipal de 20 de Novembro de 2013, entre outros assuntos. A consultar no pdf que aqui publicamos ou no próprio site do Boletim. É também neste site que de forma periódica, ainda que pouco sistematizada, vão sendo publicados os editais e atas, assim como outra informação relevante que a Câmara vai disponibilizando.

Sobre a primeira sessão da Assembleia de freguesia da U. Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde

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Numa ação de campanha em Aldoar
A União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde é, como a maioria dos portuenses sabe, uma das freguesias em que as desigualdades sociais são mais gritantes. Aqui, condomínios de luxo partilham paredes com bairros sociais degradados em que há cada vez mais despejos e cortes de água e de luz. Há uma animosidade (eufemismo) entre classes que está à vista de todos. Há fronteiras nesta freguesia: há ruas em que determinada classe não entra e ruas em que a outra classe não entra também. Barreiras quase físicas que, se forem ultrapassadas, geram esgares de desconforto e desconfiança (eufemismo novamente).
No final desta primeira Assembleia de Freguesia, a sensação com que fiquei foi de que o actual executivo pouco ou nada fará para resolver esta situação. Com uma maioria eleita da lista “apartidária” de Rui Moreira, foi clara a classe que saiu vencedora. Dou apenas um exemplo: após 1 hora de discussão sobre um orçamento para um trimestre que acabaria no dia seguinte (31 de Dezembro), foi muito humildemente sugerido pelo público que este orçamento, bem como os próximos, poderiam ser disponibilizados ao público antes das assembleias, para que também este o pudesse contestar e comentar ou para, pelo menos, que este não tivesse de assistir a uma interminável discussão sem saber sequer de que se tratava concretamente. Em resposta confidente, no final da Assembleia, um dos membros do executivo disse-me apenas: “Sabe querida, há coisas que não podem ser disponibilizadas. É muito bonito o que disse, mas depois aparece aqui o povo todo a mandar bitaites.”.
É, pelos vistos, a democracia participativa incomoda este executivo. Foi apresentada uma proposta que eu considerei interessante por parte do deputado da CDU que se referia à introdução da participação do público também antes e não só depois da ordem de trabalhos (coisa que aliás já acontece em muitas outras freguesias). Proposta esta que não chegou a ser votada. Nós também lá estivemos, sob a forma de várias pessoas da nossa lista que assistiam no público, entre as quais Esmeralda Mateus, que aproveitou o espaço dado ao público à 1h da manhã para perguntar ao Sr. Presidente da Junta qual a sua posição em relação aos cortes de água. Pergunta essa que não obteve resposta. Posto isto, não tenho muito para acrescentar acerca da Assembleia, fora o facto de a maior parte do tempo ter sido passada a discutir burocracias e de não ter havido uma única palavra concertante à crise social.
Concluindo, penso que se estivermos a contar com o executivo eleito para fazer alguma coisa pela freguesia, não vamos muito longe. Não temos nenhum representante na assembleia, mas penso que já vimos na campanha que fizemos este Verão que nós, com a ajuda de todos e todas e com a envolvência de todos e todas conseguimos realmente operar mudanças. E a minha proposta é esta: acabar com as fronteiras. Trabalhar para aproximar a população. Como? Com ciclos de cinema, guias da freguesia, passeios de bicicleta organizados, encontros de vizinhos, enfim, qualquer sugestão que vise uma união e convivência entre todas as pessoas. Virar o Porto ao contrário pelas nossas próprias mãos. Dará trabalho? Dará. Valerá a pena? Claro que sim.

Por Francisca Bartilotti Matos

Assina a petição pelo Uso Público, aberto e alargado das Bibliotecas Municipais do Porto

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Assina e partilha a petição pelo Uso Público, aberto e alargado das Bibliotecas Municipais do Porto.
As Bibliotecas Públicas do Porto são locais destinados ao acesso livre e gratuito à leitura e ao uso da Internet. Estes são também locais de encontro entre pessoas que vivem, estudam ou trabalham na cidade.

Em tempos de dificuldades económicas profundas, as bibliotecas proporcionam espaços e serviços ainda mais procurados e apetecidos porque, em casa, muitos perderam já a possibilidade de ter livros, de ler com conforto, de aceder à Internet. Contudo, as Bibliotecas Públicas do Porto mantêm horários de funcionamento que impedem o acesso a quem, depois do trabalho ou por opção, as procura ao fim da tarde ou aos Domingos.

Esta PETIÇÃO pede que as Bibliotecas Públicas do Porto passem a funcionar com um horário alargado das 9.00h às 20.00h de Segunda a Domingo, com pleno respeito pelos direitos laborais e justa remuneração das suas e seus profissionais decorrente do alargamento deste serviço.

Na última assembleia ficou definido que retomaríamos esta petição. Queremos alcançar o máximo de assinaturas possível e apresentar publicamente como reivindicação em breve.

Assinem e passem a palavra de forma a que mais pessoas possam ter acesso a livros, música, internet e outros meios que nos tornam a todos iguais. Que não seja pela falta ou dificuldade de acesso a estes locais.

Assina a petição aqui.
Acede ao evento e partilha no facebook aqui.

Intervenção na Assembleia Municipal de 22/10

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Após saudar toda a assembleia e em especial os agora eleitos, quero realçar que à nova Assembleia Municipal são colocados desafios muito exigentes. A começar pela dignificação da Assembleia.
Situações como a da Seiva Trupe ou do Bolhão têm que merecer a posição clara deste órgão autárquico que, no figurino constitucional, é o primeiro órgão representativo da cidade. Garantir a participação dos cidadãos e cidadãs é logo das primeiras preocupações: esta sala de sessões foi construída muito recentemente mas apenas permite a presença de 28 pessoas na área do público. Não pode ser.
Insistimos de novo que não há razões técnicas que obstem à transmissão em directo, via sítio da Câmara na net, das sessões da Assembleia Municipal.
Quanto à informação e transparência das decisões, em Abril próximo já vai ser possível verificar se se vai abrir uma nova página ou se a situação escandalosa de nos últimos 12 anos nunca ter sido apresentado o inventário dos bens patrimoniais, se vai manter.
Nesta Assembleia Municipal, votaremos cada proposta pelo seu mérito próprio, independentemente de onde venha. Esperamos que o mesmo suceda com as propostas apresentadas pelo Bloco de Esquerda. Nunca abdicaremos de construir pontes em nome da resposta aos portuenses e da transformação à esquerda de que a cidade precisa.
O Bloco de Esquerda, aqui estará nos próximos 4 anos, com diversas vozes, com as suas críticas e com as suas propostas concretas. Não faltaremos a nenhuma solução verdadeira para a cidade. Não nos remeteremos ao silêncio em nenhuma ocasião. E não faltaremos às lutas e às resistências que, no Porto, se travarão pelos equipamentos públicos, pela habitação, pela resposta contra a austeridade, pela democracia e pela participação dos cidadãos.

Discurso de tomada de posse pelo deputado á assembleia municipal na tomada de posse, José Castro

Tomadas de posse nos órgãos autárquicos

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Esta semana irão realizar-se as tomadas de posse aos diferentes órgãos autárquicos do município do Porto. Destes fazem parte os 7 eleitos e eleitas pela nossa candidatura.
Estes momentos são abertos a todas e todos que queiram participar e por isso lançamos o repto para que o façam, é muito importante o vosso apoio neste momento, assim como a participação nas assembleias da vossa freguesia no futuro.

Aqui ficam as informações necessárias para atualizarem as vossas agendas (divulgamos também as tomadas de posse nas freguesias onde não elegemos uma vez que, mesmo sem eleitos, podemos participar nas respetivas assembleias que são abertas aos cidadãos e cidadãs).

Assembleia Municipal

A tomada de posse do executivo da CMP e a instalação da Assembleia Municipal terá lugar no dia 22 de Outubro, terça-feira, às 16h nos Paços do Concelho.
Tomarão lugar na Assembleia Municipal a eleita pela nossa candidatura Ana Luísa Amaral, seguida do segundo eleito pela nossa lista José Castro.

Assembleias de Freguesia

# segunda-feira, dia 21 de Outubro
- U. Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, às 18h30 na rua da Vilarinha, 1090 em Aldoar (Junta de Freguesia de Aldoar).
- U. Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, às 21h00 na Praça de Pedro Nunes, 16 em Cedofeita (Junta de Freguesia de Cedofeita). Tomará lugar na Assembleia de Freguesia a eleita pela nossa candidatura, Ilda Afonso.
- Paranhos, às 21h30 na rua Álvaro Castelões, 811 em Paranhos (Junta de Freguesia de Paranhos). Tomará lugar na Assembleia de Freguesia o eleito pela nossa candidatura, Pedro Figueiredo.

# terça-feira, dia 22 de Outubro
- Campanhã, às 21h30, na rua Ferreira dos Santos, 57 em Campanhã. (Junta de Freguesia de Campanhã).

# quarta-feira, 23 de Outubro
- U. Freguesias Massarelos e Lordelo do Ouro, às 18h30 na rua Diogo Botelho, 75 em Lordelo do Ouro (nas instalações “Sala da Cultura”). Tomará lugar na Assembleia de Freguesia a eleita pela nossa candidatura,Susana Constante Pereira.
- Bonfim, às 21h00 no Campo 24 de Agosto, 294 no Bonfim (Junta de Freguesia do Bonfim). Tomará lugar na Assembleia de Freguesia a eleita pela nossa candidatura, Amarante Abramovici.
- Ramalde, às 21h30 na rua Igreja de Ramalde, 76-92 em Ramalde (Junta de Freguesia de Ramalde). Tomará lugar na Assembleia de Freguesia a eleita pela nossa candidatura, Bárbara Veiga.

As sessões são públicas e a presença de gente da candidatura será um sinal de força e de apoio aos eleitos e eleitas.

Notas de balanço sobre as eleições no Porto

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Sobre a candidatura e o seu processo

1. A candidatura “E se virássemos o Porto ao contrário?” foi uma experiência nova e deixa sementes para o futuro. Juntando muitas dezenas de ativistas de diversas causas locais à experiência combativa do Bloco de Esquerda, marcou pelos temas, pela forma de intervenção, pelas ideias concretas, pela linguagem e pelas ações. Inspirou pessoas para além do Porto. Teve momentos que marcam a história da resistência política e cultural na cidade, como a noite Rivolivre, que fez transbordar o teatro municipal. Com 7 eleitos na cidade, esta candidatura vai dar voz a todas as causas com que se comprometeu e bater-se pelas mais de 100 propostas que apresentou.

2. O manifesto que lançou a candidatura, aprovado numa assembleia em 7 de abril de 2013, reuniu mais de 500 subscritores e subscritoras e correspondeu a um alargamento muito significativo,
embora concentrado nalguns sectores sociais e profissionais e limitado noutros. Desde então, fizeram-se 8 assembleias. Nelas – como nas ações da candidatura – envolveu-se muita gente pela primeira vez, dando corpo à campanha mais participada e mobilizadora que esta esquerda já fez na cidade. Constituiu-se uma comissão organizadora, um grupo executivo, um grupo de comunicação, bem como um grupo dedicado ao tema da “cidade amiga das crianças”. Realizou-se o Fórum “Reinventar a Cidade”, cujas sete sessões tiveram entre 40 e 100 participantes cada uma e que contou com algumas das pessoas que mais têm refletido, no Porto, sobre as diversas áreas abordadas.

3. Apesar de ter propostas para toda a cidade, a candidatura teve dificuldades em envolver e falar para alguns sectores sociais particularmente expressivos no Porto
: pensionistas e idosos, moradores dos bairros municipais, alguns sectores da classe média empobrecida. Encontrar os interlocutores, a linguagem e os materiais para chegar com mais força a esses sectores é uma reflexão que temos de fazer.

4. A candidatura produziu vários materiais
: 300 exemplares de um mupi, 8 outdoors da autoria de diferentes artistas – numa iniciativa inédita em campanhas eleitorais e que teve impacto muito para além do Porto, 400 cartazes temáticos sobre os eixos essenciais do nosso programa. Distribuíram-se cerca de 90 mil documentos (30 mil panfletos/jornal, 35 mil postais, 25 mil jornais).

5. A campanha foi rica em iniciativas.
Editou-se um livro “E se virássemos o Porto ao contrário?”, com o contributo de cerca de três dezenas de autores, e promoveram-se 3 sessões de leituras em torno desse objeto (no Aduela, no Pinguim e no Olimpo). Fizeram-se visitas a mais de uma dezena de bairros (Lagarteiro, Aleixo, Condominhas, Regado, Lapa, Leal, Aldoar, Pasteleira, Cerco, Vilar, entre outros). Organizaram-se convívios populares com música e/ou projeções de filmes (Fontinha, Aldoar, Lagarteiro, Lomba, Poveiros, Francos, Prelada…). Fez-se uma oficina de teatro (em Aldoar). Realizaram-se dezenas de reuniões com associações de moradores, ambientalistas, de pessoas com deficiência, de estudantes imigrantes, LGBT, culturais, sindicais. Participámos em mais de uma dezena de debates (APRUP, Ambiente, AE FLUP, Porto Canal, RTV, Antena 1, Fectrans, Fundação José Rodrigues, CASA, Porto 24…) organizados por outras entidades. Fizeram-se dezenas de ações de rua/ conferências de imprensa sobre temas concretos, para dar a conhecer as propostas da candidatura em áreas como: comércio e criação de emprego (afixação de cartazes “aqui podia trabalhar gente”), política cultural (visita a várias instituições como Museu das Marionetas, ESMAE, Fábrica da Rua da Alegria, Teatro do Bolhão), alienação do património (visita a Miragaia e outdoor temático), democracia participativa (pintura de mural), requalificação do Bolhão (reunião com associação de comerciantes, duas visitas ao mercado com contacto com vendedoras e imprensa), reabilitação urbana (ação em Miragaia e visita ao Bairro do Aleixo), preservação dos jardins do Palácio (conferência de imprensa), política ambiental e qualidade do ar (ação de rua em Paranhos), pobreza e resposta social (reunião popular no Lagarteiro sobre água, visitas a bairros, reunião com Rede Europeia Anti-Pobreza e apresentação de propostas), direitos dos animais (visita ao canil municipal e debate), mobilidade e transportes (reunião com CT da STCP, piquenique Museu Carro Elétrico, conferência de imprensa intermunicipal, outdoor temático), turismo (acampada de rua no antigo Parque de Campismo da Prelada) acessibilidade e inclusão (ação na Rotunda, ação no metro da Lapa sobre mobilidade reduzida), cinema (ação Invicta Filmes), por um Porto ciclável (reunião com associações e ação com bicicletas na Praça da República), jovens e emigração (contacto nas cantinas das faculdades), ilhas e habitação intersticial (visita a ilhas no Bonfim), respostas intermunicipais relativas a circunvalação (conferência de imprensa), despoluição do Rio Douro (viagem de barco) e privatização STCP. Realizaram-se 3 sessões de “Olhares sobre o Porto”, com 3 escritores da cidade. Fez-se a abertura da campanha com a “noite Rivolivre”, que contou com cerca de um milhar de pessoas e o encerramento com uma arruada em que participou mais de uma centena.

6. A candidatura confrontou-se com limitações e dificuldades.
Em primeiro lugar, ela arrancou tarde, comparativamente a todas as outras candidaturas. A imagem pública da campanha só esteve na rua nos últimos dias de julho e sofreu por duas vezes das retiradas de mupis e estruturas de outdoors por parte da Câmara Municipal, o que penalizou a sua visibilidade. O processo participativo foi por vezes subalternizado em função da necessidade de resposta ao calendário oficial da campanha e à necessidade de eficácia na execução das ações. Algumas das tarefas executivas e burocráticas ficaram excessivamente concentradas num número reduzido de pessoas, não tendo havido a capacidade de envolver e mobilizar outras. A campanha poderia ter sido mais descentralizada do ponto de vista territorial, já que a maior parte das ações ocorreu nas freguesias mais centrais. Além disso, nem todas as ideias saídas das assembleias conseguiram ser concretizadas: oficinas de cinema, a utilização mais sistemática do teatro do oprimido e outras formas de intervenção ficaram por fazer, por exemplo. Estas limitações dão-nos indicações importantes sobre aspetos a corrigir daqui para a frente no trabalho nos próximos 4 anos.

7. A articulação com a concelhia do Bloco nem sempre foi isenta de problemas.
A assembleia deve encontrar uma forma de articulação expedita com os órgãos locais do Bloco, que evite falhas de comunicação e conflitos de responsabilidade. O âmbito e funções da assembleia devem ser clarificadas. A participação de todos os bloquistas no processo assembleário deve ser procurada e incentivada, de modo a que as decisões se possam construir em conjunto.

Sobre resultados eleitorais

8. A nossa candidatura foi incapaz de contrariar a polarização entre as três candidaturas mais votadas e a “presidencialização” do voto. Não conseguimos transformar a simpatia em voto concreto. E fomos por isso incapazes de alargar a representação que o Bloco já tinha na cidade, tendo aliás perdido um deputado municipal. Não atingimos os objetivos eleitorais que nos tínhamos proposto.

9. O Bloco perde votos em quase todo o país.
Apesar de bons resultados em alguns concelhos, onde subiu a votação e elegeu vereadores que não tinha (Portimão ou Torres Novas), há uma reflexão que ultrapassa o âmbito concelhio e que cabe ao Bloco em termos nacionais.

10. Toda a esquerda perde votos no Porto e nenhuma força cresce em mandatos.
O PS perde cerca de 20 mil votos e desce 12 pontos percentuais. A CDU perde cerca de 4500 votos e desce 2,5 pontos. O Bloco perde 2300 votos e desce 1,4 pontos. A soma aritmética dos votos das três forças juntas está muito longe de superar a votação da candidatura à Câmara mais votada à Direita.

11. A hegemonia da Direita na cidade exige a todas as esquerdas um trabalho político mais denso e enraizado.
Ele não diz apenas respeito ao Bloco, cujo esforço de alargamento e abertura não teve paralelo. Convergências à esquerda correspondem ao desejo de muitos sectores na cidade e devem ser exploradas. A posição da CDU – que declinou um convite que lhe dirigimos para uma reunião – e a posição do PS – que depois de defender que as outras forças à esquerda apoiassem o seu candidato, está agora a fechar um acordo de governação da cidade com a equipa de Rui Moreira – não facilitam o desenvolvimento desse processo.

12. Uma das dificuldades com que nos confrontamos nesta campanha está relacionada com o esvaziamento e o envelhecimento de quem habita na cidade,
que é causa e consequência das políticas que a têm governado. A nossa campanha não trabalhou suficientemente os sectores mais envelhecidos. Dirigiu-se com muita força a jovens, estudantes, aos agentes criativos da cidade, aos ativistas de causas locais. Mas uma parte significativa dessas pessoas que se envolveram na campanha não votam no Porto e por isso não podem decidir sobre o governo da cidade, mesmo que estudem, trabalhem e intervenham nela.

13. No Porto, como em todo o país, os candidatos do governo saem fortemente penalizados.
O governo e o populismo de Luís Filipe Menezes são os grandes derrotados.

14. Rui Moreira tem uma vitória expressiva.
A sua candidatura polarizou a alternativa em relação a Luís Filipe Menezes, explorou o discurso dominante contra os partidos, ganhou com a retórica sobre a “afirmação do Porto” e da região, conseguiu diferenciar-se do Governo nalgumas áreas e foi capaz de federar o descontentamento contra o rotativismo.

15. O Bloco ressente-se do descontentamento e da descrença contra a política e os partidos. O facto de sermos diferentes nas propostas e no modo de atuação não anula o facto de que ocupamos o mesmo palco que os outros partidos. Não conseguimos ser o canal de expressão desse descontentamento. A subida dos votos brancos e nulos, cujos valores são os mais elevados de sempre, deve fazer-nos refletir, até porque partilhamos com uma parte desses eleitores uma crítica profunda ao sistema económico e ao sequestro do sistema político pelo poder financeiro. O sucesso das candidaturas independentes, sejam as de Direita, como a de Moreira, sejam as de esquerda, como as que o Bloco apoiou em Braga ou em Coimbra, é um fator de aprendizagem e de desafio sobre a intervenção política que temos de fazer.

16. O discurso sobre as “contas certas”, de que Moreira fez uma marca, parte de um mito acerca da gestão de Rui Rio
, que ilude o facto do executivo PSD/CDS ter retirado à cidade mais de 100 milhões de euros de património, passado para mãos privadas. A esquerda que esteve na Câmara nestes últimos anos não quis combater esse mito. A candidatura sustentada pelo Bloco não foi capaz de desmontá-lo para a maioria da população.

17. A vitória de Rui Moreira, aliás reivindicada politicamente por Paulo Portas, significa que alguns dos principais protagonistas dos 12 anos de PSD/CDS no Porto vão continuar a comandar os destinos da cidade.
O programa de Moreira é conhecido: vai haver diferenciações com Rui Rio na área cultural, mas pretende manter o modelo de reabilitação urbana que falhou, retomar o projeto Porto Feliz, concessionar o Bolhão aos privados como queria Rio, avançar com um centro de Congressos no Palácio.


Sobre o futuro

18. A experiência intensa da candidatura “E se virássemos o Porto ao contrário?” é para continuar. As energias, experiências e redes de solidariedade que se encontraram e criaram nesta candidatura são valiosas e são da maior importância porque reforçam a capacidade de articulação para todas as lutas que se seguem. Nesse sentido, o processo assembleário que se lançou foi apenas um começo. Ele irá manter-se, nos moldes que a própria assembleia definir.

19. Este processo tem vários desafios.
Como apoiar a intervenção dos eleitos locais na Assembleia Municipal e nas Assembleias de Freguesia? Que formas de comunicação com a cidade? Que campanhas e iniciativas de mobilização unitária apoiar e desenvolver? Que ações continuar fora do contexto de campanha? Como manter um nível equilibrado de atividade que não seja nem desmobilizador nem desadequado face a uma menor disponibilidade que as pessoas terão comparativamente com o período de campanha? Como reforçar a articulação e interligação com as estruturas formais do Bloco? Como financiar a sua atividade? Como desenvolver os mecanismos participativos?

20. As mais de 100 propostas do programa que apresentamos são um elemento essencial da ação dos autarcas eleitos.
Escolher, de entre elas, aquelas com que queremos marcar o início da nossa atividade é relevante. Pelo simbolismo e marca diferenciadora, propostas na área da democracia participativa deveriam ser apresentadas logo nas primeiras sessões dos órgãos autárquicos em que participamos.

21.
O Governo anunciou que ia privatizar a STCP até 2014. Num debate na Antena 1, todos os candidatos à CMP disseram que eram contra. É altura de fazer valer o que afirmaram. Na ação unitária como na intervenção na Assembleia Municipal, esta é uma causa que tem condições de ser maioritária na cidade.

22.
Sobre o Bolhão, o projeto de Rui Moreira passa pela concessão a privados e pela construção de residências estudantis. Esse projeto não colhe certamente o apoio da maioria dos portuenses. O que coloca um desafio à nossa ação – o de juntar forças para garantir uma requalificação do Bolhão que o mantenha como mercado público de frescos. Que instrumentos podemos utilizar neste combate?

23.
Rui Moreira anunciou a intenção de retomar o programa Porto Feliz. Lembrar o balanço feito sobre esta medida de Rui Rio e convocar todo o saber técnico e crítico que sobre ele foi produzido para um debate público na cidade é uma tarefa urgente.

24.
Existe o compromisso de todas as candidaturas de voltar a fazer do Rivoli um teatro municipal. Convocar desde já a cidade e os agentes culturais para definir os termos dessa devolução aos portuenses de um equipamento que pode ser tão central na política cultural da autarquia é um desafio a que também devemos responder.

Contributo para a assembleia realizada no dia 17 de Outubro de 2013, de Ada Pereira da Silva, Amarante Abramovici, José Manuel Castro, José Soeiro, Maria Manuel Rola, Miguel Semedo, Nuno Moniz, Paulo Renato Ricardo, Susana Constante Pereira

Temos 7 eleitos desta candidatura

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Não esquecemos nada do que fizemos nesta campanha. Oficinas, fóruns, visitas, cartazes, reuniões, ações, leituras, cinema na rua, debates, propostas… Envolveram-se centenas de pessoas. E esta esquerda de tanta gente diferente, que fez transbordar o Rivoli nessa noite rivolivre, continua, a partir de hoje, em todas as lutas da cidade, pela democracia, pelos equipamentos públicos, pela resposta solidária à crise, na resistência e na programação cultural, pela habitação, no combate contra a austeridade e o empobrecimento.
Temos 7 eleitos desta candidatura, que darão a voz a estas causas e serão portadores das mais de 100 propostas que apresentamos para o Porto. Dia 17, temos assembleia.

Eleitos da lista “E se virássemos o Porto ao contrário?”

Assembleia Municipal
Ana Luísa Amaral
José Castro

Assembleia Freguesia do Bonfim
Amarante Abramovici

Assembleia Freguesia de Paranhos
Pedro Figueiredo

Assembleia da U. Freguesias de Cedofeita, Sto. Ildefonso, Sé, Miragaia, S. Nicolau e Vitória
Ilda Afonso

Assembleia da U. Freguesias de Massarelos e Lordelo do Ouro
Susana Constante Pereira

Assembleia Freguesia de Ramalde
Bárbara Veiga

Domingo saberemos que vereadores terá a cidade nos próximos 4 anos.

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O PSD de Menezes e os vereadores do CDS e do PSD que estão na lista de Moreira afiam as unhas para continuar a governar a cidade e a proteger negócios e interesses. À esquerda, o candidato que as sondagens colocam em terceiro lugar, manifesta a disponibilidade para ser uma parte dessa governação que a direita quer continuar. Mas as sondagens falam de uma novidade: a possibilidade real de pela primeira vez eleger um vereador do Bloco, José Soeiro. Com ideias claras e exequíveis, este será um vereador que enfrentará sempre o populismo da direita, que não faltará a nenhuma luta da cidade nem a nenhuma convergência em torno do essencial. Levará propostas inteligentes para a Câmara e será uma voz diferente no executivo. Fará um mandato que vai mexer com o Porto e abrir experiências inovadoras de participação. Pode ser a grande surpresa nestas eleições. Por um voto a mais pode ser eleito, por um voto a menos pode não sê-lo. Agora depende de ti. Está nas tuas mãos.

(vê aqui a última entrevista completa no Porto Canal)

Mais árvores na cidade do Porto: PSD e CDS/PP nem o PDM cumpriram…

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As cidades precisam cada vez mais de espaços verdes, árvores, jardins e parques. A vegetação urbana contribui para a estabilidade microclimática e para baixar a poluição sonora e visual. Mas também pode reduzir entre 7% e 20% as concentrações de partículas e gases perigosos para a saúde humana.

A cidade do Porto bem precisa de aumentar a capitação de área verde pública. A média europeia é superior a 20 m2/habitante, e no Porto não chega sequer a 15 m2 por habitante.

Face aos 156 hectares de estrutura verde pública existentes em 2005, o PDM do Porto então aprovado, colocou como objetivo o seu alargamento para 388 hectares. E para tal foi definida a ampliação/criação de novos espaços verdes: ampliação do Parque da Cidade e criação doutros 7 (como o Parque Oriental, da Ervilha, de Currais e de Outeiro do Tine). Mas como noutras matérias, a coligação de direita PSD/CDS-PP desrespeitou completamente o PDM aprovado em 2005.
Pior, o Parque da Cidade (ocidental) não só não ampliou a sua área verde como a área construída (impermeabilizada) é já superior a 103.000 m2 , quando o limite máximo de 5% de impermeabilização da área verde de utilização pública corresponde a 43.355 m2.
E o Parque Oriental (de 80 hectares) ainda está apenas nos 10 hectares, quando o município é proprietário de mais de 20 hectares. E o pior é que o parque Oriental está muito apoiado no leito do rio Tinto. E este, como é sabido, está transformado num esgoto a céu aberto.

Há também a urgente necessidade de aumentar a extensão dos arruamentos com árvores, apenas 16% (86 Kms.) do total de ruas estavam arborizadas em 2005. E também neste tema é inaceitável a política do município dirigido pelo PSD e CDS/PP.

Porque têm sido abatidas tantas árvores na cidade do Porto? Porque não são os eleitos autárquicos e as pessoas informadas sobre os motivos destes cortes ? Foram razões fito-sanitárias a justificar o corte de centenas de árvores ? Ou o abate de tantas árvores foi para criar estacionamento para automóveis e diminuir o custo das empresas privadas na instalação de gás e de cablagens eletrónicas?

A candidatura “E se virássemos o Porto ao contrário” do BE e outros ativistas da cidade, colocou no seu programa a plantação de pelo menos 2.500 árvores/ano. E aqui na rua Álvares Cabral (que já foi arborizada) é simbólicamente plantada uma laranjeira.

Porque a cidade do Porto precisa cada vez mais de espaços verdes, árvores, jardins e parques.

Como fazer uma cidade mais verde

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Mais árvores na cidade do Porto

Dia 27 de Setembro de manhã fizemos uma ação simbólica relacionada com a nossa proposte de 2500 árvores por ano para a cidade.
Porque têm sido abatidas tantas árvores na cidade do Porto?
Porque não são informadas as pessoas sobre os motivos destes cortes?
As cidades precisam cada vez mais de espaços verdes, árvores, jardins e parques, para controle da humidade, para a termoregulação e para fazer baixar a poluição atmosférica. A candidatura “E se virássemos o Porto ao contrário?”, do BE e outros ativistas da cidade, propõe a plantação de 2.500 árvores/ano. Em que locais? E aqui na rua Álvares Cabral (que já foi arborizada) foi simbolicamente colocada uma laranjeira. O JN esteve connosco e apontou as nossas propostas.

Mais árvores na cidade do Porto

Mais árvores na cidade do Porto